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sábado, 10 de março de 2018

Pseudopoesia LV : Carta ao amor futuro nº 47


Carta ao amor futuro nº 47 - Porque te quero

De: um desejador
Para: o alvo do seu desejo

Eu só te quero
porque não te tenho.
Se te tivesse,
eu não seria eu.


[pseudo... poesia, poema, carta ao amor do futuro / ao amor que vai chegar / ao amor da minha vida, carta de amor]



sexta-feira, 9 de março de 2018

Pseudopoesia LIV : Carta ao amor futuro nº 46


Carta ao amor futuro nº 46 - Sobre o ser/estar de teu amor

De: o meu preocupado pensar
Para: o teu conhecimento

¿Que palavras,
lamentos
e perguntas
se ouvirão nos átrios de teu confessionário
quando
descobrires que,
de entre todas as virtudes,
perfeição é algo que não consta de minhas posses;
que príncipe não sou eu,
pois sou apenas rei —
daquele castelo —;
que não saberei de pronto todas as respostas;
que posso nem sempre saber
o que fazer;
que sempre serei eu
mesmo vindo a ser um com teu coração;
que talvez
nem toda lágrima que te vier por causa de mim
seja de alegria?

De todos os defeitos possíveis
eu tenho o pior:
ser humano —
e vários outros que dele decorrem.
Apesar de hoje, aí, te ser sonho finamente entretecido,
eu, em verdade,
apenas sou real.

O meu bastante querer,
contudo,
é que me queiras

o mesmo tanto quanto te quero.


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quinta-feira, 8 de março de 2018

Pseudopoesia LIII : Carta ao amor futuro nº 45


Carta ao amor futuro nº 45 - Sobre um fragmento do passado vindouro

De: um mar
Para: um navegante

Amarei
quando teus lindos sorrisos navegavam
contentes,
hipnotizadores,
ao sabor de uma aprazível brisa de encanto,
no esverdeado azul
        [...]
dos olhos de teu amor.


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quarta-feira, 7 de março de 2018

Pseudopoesia LII : Carta ao amor futuro nº 44


Carta ao amor futuro nº 44 - Sobre aquilo que não sei o quê

De: aquele deste lado
Para: o outro lado

ENIGMÓIDE nº 5


Tão esplêndido
é seu poder,
que é capaz
de me permitir te ver
através do espesso tempo
do dioptro amanhontem
com mínima refração.


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terça-feira, 6 de março de 2018

Pseudopoesia LI : Carta ao amor futuro nº 43


Carta ao amor futuro nº 43 - Sobre beijos

De: uma boca
Para: sua fonte de beijos

Tua já é
minha boca
para todos os beijos
que ainda não me destes.

E teus batons têm justo
as cores que encantam meus lábios.

Ah,
teus beijos
no futuro do subjuntivo...

Sabias que,
devido a uma providencial
e divina
distorção do espaço-tempo,
já provei teu beijo?

E eu gostei!


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segunda-feira, 5 de março de 2018

Pseudopoesia L : Carta ao amor futuro nº 42


Carta ao amor futuro nº 42 - Sobre um castelo

De: o construtor
Para: a ilha

Hoje
pus mais um tijolo,
edifiquei mais um pouco
do castelo que tenho construído
com bem concebidos tijolos
tecidos de uma mistura de espaço-tempo:
todos aqueles onde estou
e tu estás sempre a me esperar e encontrar;
um após outro,
um sobre e sob o outro
onde bem desejo por.

Cada tijolo um projeto
do qual eu mesmo sou
o engenheiro, o arquiteto e o pedreiro.
Construo sem teu alvará,
sem saber do final,
sem teu conhecimento –
tecnicamente responsável e, portanto,
culpado de tudo.
Não há tijolos que bastem para
para completar uma obra dessas.

Eu te tenho construído
lá dentro
um belo jardim
onde tu és as variedades mais belas
e mais perfumadas.
E há alguém que cuida dele.

Neste castelo há um monarca,
mas és tu quem reina em cada canto.

Tu queres morar lá comigo?
[Bem, na verdade, isto não importa tanto assim.]
E quando vais chegar?
Será possível saber?
Que é para avisar aos receios e dúvidas
para baixarem a guarda
e abrirem a entrada
quando estiveres à porta.


Tanto trabalho
para que depois de tua chegada
tudo venha abaixo.
E no seu lugar edificaremos
uma grande pequena história:
uma casa construída de momentos
feitos com os restos daqueles tijolos.


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domingo, 4 de março de 2018

Pseudopoesia XLIX : Carta ao amor futuro nº 41


Carta ao amor futuro nº 41 – Sobre teu sorriso
Como que pequena e rimada

De: um mendicante de teus sorrisos
Para: meu risonho amor

Aquele sorriso
que só tu tens
é todo meu
pelo simples direito
de, uma vez te amando,
ser o que é teu,
o amor
que o amor ainda não me fez.


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sexta-feira, 2 de março de 2018

Pseudopoesia XLVIII : Carta ao amor futuro nº 40


Carta ao amor futuro nº 40 - Uma pergunta

De: meus olhos
Para: para teus olhos

Não sabes tu,
menina,
— te importa? —
que distante da menina de teus olhos,
outros olhos
[os de um menino]
lamentam não poderem ver
uma menina de tão belos olhos
como só tu podes ser?


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quinta-feira, 1 de março de 2018

Pseudopoesia XLVII : Carta ao amor futuro nº 39


Carta ao amor futuro nº 39 - Um [simples] sonho

De: mim quando desperto
Para: tu que dormes em algum sonho

Tão bela
quanto um sonho
[real]
eu te sonhei.


Mas quem,
dentre todos os pensonhamentos,
dormirá
meu sonho,
o pensonhamento de amor,
meu sonho de amor que pensonho contigo?


[pseudo... poesia, poema, carta ao amor do futuro / ao amor que vai chegar / ao amor da minha vida, carta de amor]



domingo, 18 de fevereiro de 2018

Pseudopoesia XLVI : Carta ao amor futuro nº 38


Carta ao amor futuro nº 38 - E agora?

De: o navegante
Para: uma terra distante

E eis que
depois de te sentir tão perto
quanto real,
de parecer ser tão certo,
tu voltastes a estar longe.

Por quê?
Fizeram-me te perder,
os erros de navegação.
Perdi
a ti
e tuas coordenadas.

Um nevoeiro
começa a se por diante da esquadra.
O calendário de bordo retrocedeu –
os ventos cessaram,
as correntes estagnaram –
e parou.
 
Parece já não ter mais letras
o nome do mar onde tu estás.
Por conseguinte,
certo é que
nenhuma carta náutica pode
neste momento
me soletrar o futuro.


Seria ainda possível te reencontrar
com o mesmo alias?


Para onde, e como, navegarei eu
agora?


[pseudo... poesia, poema, carta ao amor do futuro / ao amor que vai chegar / ao amor da minha vida, carta de amor]



terça-feira, 25 de agosto de 2015

Pseudopoesia XLV : Carta ao amor futuro nº 37

Carta ao amor futuro nº 37 - Algo que sei

Por que
deixar para dizer depois,
pessoalmente,
a ti
tudo

    [Interlúdio]
    Bem, talvez não tudo.
    Não sei
    se tudo que sei
    é tudo que pode ser sabido
    sobre nós dois.
    Possível é
    que eu tenha um conhecimento considerável
    a respeito.
    Quem saberá?
    [.]

o que já gostaria de te fazer
saber?

És minha amiga,
sabias?
Como poderia te ocultar
o que já sei
do que aí já somos?

Não pergunte,
porém,
como sei.
Plausível é
que só possa ser assim.


[pseudo... poesia, poema, carta ao amor do futuro / ao amor que vai chegar / ao amor da minha vida, carta de amor]



Pseudopoesia XLIV : Carta ao amor futuro nº 36

Carta ao amor futuro nº 36 - Sobre quando de ti lembro

De: aquele que não para de pensar
Para: aquela a quem não consigo esquecer

Não consigo me lembrar
que, vez por outra,
preciso esquecer de te ter
em mente –
quando meu coração
diz que necessito te pensonhar.

[Pseudointerlúdio]
Constantemente sei que
apenas tenho a presença de tua pré-ausência
e um contínuo bem-querer-te.
E no momento que lembro que ainda não te tenho
aqui,
ponho-me a te querer quase todo o tempo.
[.]

A cada vez
não sei se te sonho,
não sei se te penso
quando nos pensonho:
toda vez que
por ti
estou enamorado.
Sei que
nessas horas
é em ti que penso enquanto sonho,
é contigo que sonho enquanto penso.

És o que sempre quero
toda vez que te quero.

Não consigo lembrar
a última vez que consegui te esquecer.


[pseudo... poesia, poema, carta ao amor do futuro / ao amor que vai chegar / ao amor da minha vida, carta de amor, pensonhamento]



Pseudopoesia XLIII : Carta ao amor futuro nº 35

Carta ao amor futuro n° 35 - Sobre mim ainda agora
reveladora

Com amor,
De: teu amor
Para: meu amor antes de me amar

Eu aqui já seu,
carente do amor
que você ainda não me deu.


[pseudo… poesia, poema]



Pseudopoesia XLII : Carta ao amor futuro nº 34

Carta ao amor futuro n° 34 - O que é preciso?
um primeiro questionamento a respeito

De: mim, no amanhontem
Para: ti, onde quer que possas estar

I
O que devo eu fazer
        para tu gostares mais de mim?
        para que me ames mais?
        Descobrir-me
        [aqui]
        já teu?
        Aqui já revelar
        teu nome?
        Como poderia eu?
        Ter coragem
        para ir até ti?
        Como, se não sei
        se és
        quem eu penso que poderias ser?

        Eu não sei
        se gostas de mim já aqui,
        nestas bandas do tempo.

II
Por que
não olho para ti
quando me olhas
[caso, de alguma forma,
já nos conheçamos aqui,
neste distrito do tempo]?
O que impede
que nossos olhos se enamorem?


[pseudo… poesia, poema]



Pseudopoesia XLI : Carta ao amor futuro nº 33

Carta ao amor futuro n° 33 - Sobre desapontamentos
um primeiro algo

De: mim
Para: o já-no-futuro-amor-presente

Se te decepcionei aí,
não me deixes
ou me troques por outro.
Perdoe-me.
Volte aqui
e fale comigo,
e diga,
me alerte,
me mostre,
o caminho por onde não devo eu mais ir,
se possível.

[Nada pior que ser trocado por nada.]

Se falhei contigo
já daqui
hoje,
não me deixe

fugir de ti.


[pseudo… poesia, poema]



Pseudopoesia XL : Carta ao amor futuro nº 32

Carta ao amor futuro nº 32 - Pergúvidas

De: mim
Para: quem?

I
Quem –
    que tipo de pessoa,
    em sã consciência –
    gostaria
    de se afogar num mar?
    de ter um cobertor
    que não fosse feito de pano?
    de se tornar prisioneira
    do que deseja seu próprio abraço?

Quem
nos conquistaria um para o outro?

Quem
quer ter versos sem melodia
por cantiga de ninar?

Quem
quer dormir o sono
e o sonho de outrem?
Quem desejaria contigo sonhar
acordado,
por ti ser sonhado?


E se for de carícias?
E se for de beijos?
E se fosse nos meus braços?

Quem?

E se vierem da minha voz?

Por que não tu e eu –
tu comigo
e eu contigo?
Alguém que te escrevesse versos?


II
Quem quer contigo sonhar
acordado
e, dormindo,
acordar
e continuar
sonhando
sem saber
se é sonho
ou verdade
ou se é um pensonhamento
que se está vivendo?
[Poderia ser que tu já soubesses?]
Não passariam de ilusão
os alvos
destas palavras?
É certo, pois, que parecem não passar
o tempo
nem esse desejo
de continuar me iludindo,
sonhando
que tudo que pensonho ainda
será vivido
num tempo tão logo
quanto eu não consigo tatear.

A esperar, estou
necessitando tanto aprender.


III
Quem tem
resposta para todas as perguntas?


[pseudo… poesia, poema]



Pseudopoesia XXXIX : Carta ao amor futuro nº 31


Carta ao amor futuro nº 31 - Tanto tempo
inacabada

De: hoje
Para: algum lugar

Tanto tempo  
o tempo deixa estar entre mim e ti.
Como uma cunha,
põe-se entre nós dois.
Se ele soubesse o mal que isto nos faz,
(...).

Todo o tempo ainda não vivido
é (...),
tempo de espera —
Ah, Deus, eu não queria esperar tanto —,
(...).

Pare o tempo,
(...).
Os relógios
riem de mim.


[pseudo… poesia, poema]



Pseudopoesia XXXVIII : Carta ao amor futuro nº 30

Carta ao amor futuro nº 30 - “…”

Com suspiros,
De: mim
Para: meu oculto amor

O colo
onde aquele rei recostou sua cabeça
após um dia de batalhas,
onde chorou ele
e encontrou
alento,
conforto,
afago.

Aquele
endereço do espaço-tempo,
lá pelas bandas do futuro,
onde te encontrei
andando a me esperar,
e quando agarrei tua mão para andarmos pela calçada daquela rua,
uma rua ainda a construir,
que ainda não está no mapa.

A posição
no alfabeto
onde está a última letra de teu apelido.

O dia
em que você chegou.

A direção
para onde o ponteiro da hora apontava
quando tive certeza que eras tu.

O móvel
onde te recostavas
quando pintarei
tuas unhas
pela primeira vez.

A loja
que vende o perfume,
teu predileto.

Um lugar sem nome.


[pseudo… poesia, poema]



Pseudopoesia XXXVII : Carta ao amor futuro nº 29

Carta ao amor futuro nº 29 – Já agora queria

De: um homem só 
Para: ela, além-mar

Ah,
minha ainda-não-mas-já-amada, 
como queria já ser teu homem amado 
[porque no futuro
já nos amamos].

Necessário,
porém, 
– talvez – 
é 
que me torne navegante ainda mais experiente.
Mais águas necessitam passar
até que passe o tempo
onde me graduo em cuidar de nossas futuras terras,
pois
quando aportar em tua enseada,
todas as naus da esquadra levarei a pique.


[pseudo… poesia, poema]



Pseudopoesia XXXVI : Carta ao amor futuro nº 28

Carta ao amor futuro nº 28 – Caminhos

De: um caminhante
Para: uma caminhante

Aonde vais?

Aonde vai dar o caminho do teu futuro?
Pr'onde estás indo?
[Posso ir contigo?]
Deixa eu ir contigo?
Pois acho que meu futuro fica perto do teu.
Penso ser ali,
ao teu lado.
É ali onde já vivem e brincam nossos sonhos que hoje cochilam,
filhos do casamento dos meus com os teus.
Deixa que meus sonhos
andem de mãos dadas com teu sonhos
para que nos certifiquemos que chegaremos juntos, na mesma hora;
para que não nos percamos [um do outro] pelo caminho.
Não deixes para passar aqui depois, depois de pensar melhor,
pois no caminho do tempo não se pode voltar.

Vem também comigo, vem.

[Poslúdio]
Queres pensonhar comigo?


[pseudo… poesia, poema, pensonhamento]